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Cartão de Crédito: Como Usar a Seu Favor (e Não Contra Você)

Com juros médios de 19% ao mês no rotativo, o cartão pode ser aliado ou vilão. Saiba usar o limite, os pontos e evitar as armadilhas.

📖 7 min de leitura·Publicado em 4 de junho de 2026

O cartão de crédito é o produto financeiro mais presente na vida do brasileiro: 96,2 milhões de cartões ativos no 2º trimestre de 2025, segundo a ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões) — crescimento de 7,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, o rotativo do cartão de crédito cobrava juros médios de 18,3% ao mês (Banco Central, setembro 2025) — mais de 600% ao ano — tornando-o o produto de crédito mais caro do mercado. Entender como o cartão funciona é essencial para usá-lo como aliado, não como armadilha.

Como o cartão de crédito realmente funciona

O cartão oferece um crédito de até 40 dias sem juros: se você compra no primeiro dia da fatura e paga o total na data de vencimento, o banco financiou sua compra gratuitamente. O problema começa quando você paga apenas o mínimo ou entra no rotativo.

  • Pagamento mínimo: a legislação obriga o valor mínimo a ser de pelo menos 15% da fatura (desde 2023). O saldo restante vai para o rotativo — com juros de ~19%/mês.
  • Rotativo: é a "dívida do cartão". Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo vira R$ 2.000 em pouco mais de 4 meses com juros de 18%/mês. Em 12 meses, ultrapassa R$ 7.000.
  • Parcelamento sem juros no cartão: o lojista incorpora o custo do parcelamento no preço. Negociar desconto à vista costuma economizar 5%–15%.

Atenção

Nunca pague apenas o mínimo da fatura. Se não tiver dinheiro para pagar o total, é sinal de que você gastou além da sua renda. A melhor opção é buscar um empréstimo pessoal (3%–4%/mês) para quitar o rotativo e sair da dívida mais cara.

Estratégias para usar o cartão a seu favor

1. Concentre gastos para acumular pontos

Programas de pontos e cashback funcionam bem para quem paga a fatura integralmente todo mês. Cartões de alto valor (Visa Infinite, Mastercard Black) oferecem 2–4 pontos por dólar gasto, conversíveis em milhas aéreas. Um gasto anual de R$ 60.000 num cartão de 2,5 pontos/R$ 1 pode gerar 150.000 pontos — suficientes para uma passagem internacional em classe executiva.

2. Cashback pode ser mais simples que pontos

Para quem não viaja com frequência, cashback é mais prático. Cartões como Nubank Ultravioleta (1% cashback), C6 Caju (cashback variável) e inter Gold (0,5%–1%) devolvem dinheiro diretamente. Um gasto mensal de R$ 3.000 com 1% cashback gera R$ 360/ano em retorno.

3. Use o limite como ferramenta, não como renda extra

O limite do cartão não é seu dinheiro — é uma dívida em potencial. Uma regra saudável é nunca comprometer mais de 30% do limite e sempre manter a fatura dentro do que você já tem disponível para pagar.

Dica

Ative as notificações por transação no aplicativo do banco. Pesquisa da Universidade Estadual de Ohio (Soman, 2001) mostrou que consumidores que acompanham gastos em tempo real gastam em média 20% menos do que os que revisam o extrato apenas no fim do mês.

Limite de crédito: como aumentar com segurança

Ter um limite maior pode ser útil para emergências e para compras grandes parceladas. Para aumentar o limite de forma saudável:

  • Pague a fatura integral por pelo menos 6 meses consecutivos.
  • Atualize sua renda no aplicativo do banco sempre que ela aumentar.
  • Mantenha score de crédito elevado: pague contas em dia, não acumule consultas ao CPF e use o Registrato (bcb.gov.br) para conferir seu histórico.

Cartão de crédito e score: o que poucos sabem

Usar o cartão regularmente e pagar a fatura em dia é uma das formas mais eficientes de construir histórico de crédito positivo no Brasil. O Cadastro Positivo (Lei 12.414/2011), gerenciado pela Serasa e Boa Vista, considera o padrão de pagamentos — não apenas as dívidas. Quem usa o cartão responsavelmente tende a ter score acima de 800 (escala Serasa: 0–1.000).

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Leitura recomendada

A Psicologia Financeira

Morgan Housel

Entender por que gastamos mais do que deveríamos é o primeiro passo para usar o cartão a favor. Housel explica os vieses que nos levam a decisões financeiras ruins.

Referências

  1. 1. ABECS (agosto 2025). Dados do Setor — 2º trimestre 2025: 96,2 milhões de cartões ativos, crescimento de 7,5% a/a. Associação Brasileira das Empresas de Cartões.
  2. 2. Banco Central do Brasil (setembro 2025). Nota de Crédito: taxas de juros por modalidade — cartão rotativo: 18,3% a.m. (setembro 2025). bcb.gov.br.
  3. 3. Banco Central do Brasil (julho 2025). Relatório de Estabilidade Financeira — 1º semestre 2025: inadimplência e endividamento das famílias.
  4. 4. Serasa Experian (outubro 2025). Mapa da Inadimplência — 3º trimestre 2025: perfil do consumidor negativado e evolução do score. serasa.com.br.
  5. 5. Banco Central do Brasil (2023). Resolução CMN 4.993/2023: pagamento mínimo do cartão de crédito — mínimo de 15% da fatura.
  6. 6. Lei nº 12.414/2011 — Cadastro Positivo: disciplina a formação e consulta a bancos de dados com informações de adimplemento.

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